Melhor qualidade de som e imagem e possibilidade de interação são algumas das vantagens que o telespectador brasileiro terá com o sistema de TV digital no país.
As primeiras transmissões acontecem em 02/12/08, na região metropolitana de São Paulo.Para o professor Alexandre Hashimoto, mestre em novas tecnologias pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do curso de Sistema de Informação das faculdades integradas Rio Branco, a entrada do Brasil no sistema de transmissão digital é um marco para a história da tecnologia mundial. “O povo brasileiro vai passar a ser mais bem informado e com muito mais opções, mudando até a forma como ele consegue assistir televisão”, disse Hashimoto, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional. Ele explica que a principal diferença para os telespectadores será a qualidade da imagem e do som que chegará até a casa dos brasileiros. Para receber o sinal digital, será preciso adaptar um conversor (chamado de set-top box) no aparelho de televisão convencional.
De acordo com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, o governo deverá viabilizar a venda dos conversores de TV digital a preços populares. Segundo Hashimoto, até 2016, os sistemas analógico e digital vão funcionar simultaneamente. Depois disso, vai haver apenas o sinal digital, e os brasileiros terão que comprar um novo aparelho de televisão ou o conversor. Pelo cronograma do Ministério das Comunicações, até os primeiros meses de 2008, o sistema de TV digital já estará disponível em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Além da qualidade de som e imagem, Hashimoto destaca a possibilidade de uma interatividade maior dos telespectadores com a chegada da TV digital. Segundo ele, além de poder comprar programas e produtos pelo controle remoto, será possível usar recursos como gravar e pausar programas, aproximar a imagem que aparece na tela, assistir a um jogo por vários ângulos ou ter vários canais na tela ao mesmo tempo. E a imagem vira sem “fantasmas” e o som sem “chiados”.
Segundo Costa, os recursos de interatividade no modelo brasileiro de TV digital estarão disponíveis em etapas e não poderão ser utilizados de imediato. Uma das possibilidades no futuro, de acordo com o ministro, será a possibilidade de fortalecer a educação à distância no país, além da criação de programas para trabalhar com a saúde pública e pesquisas de opinião.
Fonte: condensado da Agência Brasil, reportagem de Sabrina Craide em 01/12/07.
Uma nova era na mídia brasileira realmente iniciou em 02/12/07, um marco, como aquele de 18/09/1950, em que Assis Chateaubriand colocou a TV Tupi no ar, a primeira emissora brasileira ou quando em 1972 a TV Excelsior iniciou a transmissão em cores [1].
O potencial da TV Digital é grande e vai muito além da melhor qualidade de som e imagem. Vai na possibilidade de interação, como escolha de ângulo, gravação de conteúdo e funções que darão a TV recursos dos computadores ligados à Internet (como serviços bancários, pesquisas de opinião, telecompras etc.).
Mas essa interação toda já não existe na Internet? Sim, mas a penetração da TV na sociedade brasileira é (e continuará sendo) muito maior que a da Internet, que hoje se baseia no acesso predominantemente por computadores - essas “máquinas complicadas”, sem falar que não é nada agradável sentar numa poltrona da sala de TV acompanhado de teclado e mouse (não daria para segurar a pipoca). E por mais que sistemas de TV paga via satélite já sejam de alguma forma interativos eles se destinam, justamente pelo caráter pago, a uma pequena parte da população.
Mas ainda é cedo para comemorar:
Ia esquecendo do preço especulativo, abusivo e sem-vergonha das TVs com recepção HD e dos ditos conversores (set-top boxes). Tem conversor custando de R$ 500 a R$ 1.200, enquanto o Ministério das Comunicações esperava de R$ 250 a R$ 400. Melhor, até para quem mora na civilização HD (por enquanto São Paulo), fazer como disse o Ministro e esperar estes preços caírem.
Vejo que há um esforço do governo para que a HDTV se popularize rápido (se é que oito anos dá pra chamar de rápido). Isto me faz lembrar as histórias da vovó, quando o povo de uma rua inteira ia para a casa do “mais rico”, ver TV no domingo à noite.
E o pior, o conteúdo. Já repararam que quanto mais alternativas de lazer e informação temos, mais deixamos a TV de lado? Aquela família reunida vendo novela parece estar diminuindo. Enquanto cresce o tempo usado em Internet, DVD (locado, comprado ou pirateado… apenas como exemplo), TV paga e programas mais úteis de final-de-semana, menos tempo a caixinha aberta tem de nossa atenção.
Um livro americano que li no final dos anos 90 (se alguém descobrir o nome, favor me avisar, pois não lembro), dizia nas primeiras páginas “centenas de canais e nada pra ver”, referindo-se a TV a cabo (de lá). Temo que a HDTV brasileira caia nisto.
Eu é que não pagaria R$ 1.200 por um conversor para uma TV de R$ 10.000 para assistir Big Brother, esquetes e bordões repetidos há anos e clipes da Dança do Créu. Você pagaria?
Charles A. Müller é formado em comunicação social e editor do SiteCharles.com
Saiba mais:
[1] As citações sobre a História da TV podem ser vistas em detalhes na Wikipedia (e seus respectivos links citados).
[2] Para entender melhor este “papo técnico” (que para mim também é novo) sugiro que visite estes sites, que me ajudaram a compreender um pouco mais: Transbrasil (com um didático artigo de Alamar Régis Carvalho), Clube do Hardware e Saindo da Matrix (este último com imagens capturadas de uma HDTV, realmente impressionantes).
Tags: Marketando, mídia, MoinhoDigital
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